A bancada de Mato Grosso no Senado Federal fechou questão em torno da necessidade de extensão da ferrovia Ferronorte até a cidade de Cuiabá. Atualmente, os trilhos do empreendimento – que liga Mato Grosso ao Porto de Santos, em São Paulo –  se encontram em Rondonópolis, no Sul do Estado.

 

Nesta terça-feira (26) os senadores Wellington Fagundes (PR), Jayme Campos (DEM) e Selma Arruda (PSL) pediram que o ministro Tarcísio Gomes de Freitas inclua a ferrovia como uma das prioridades do Ministério da Infraestrutura.

 

Além da Ferronorte, as diretrizes e planos do Ministério em relação a rodovias, ferrovias, aeroportos e obras públicas, apresentadas pelo ministro durante audiência na Comissão de Infraestrutura do Senado, contemplam Mato Grosso com as ferrovias Ferrogrão, ligando Sinop a Miritituba, no Pará, e a Ferrovia de Integração do Centro Oeste (FICO), entre Água Boa e Campinorte, em Goiás, na extensão da Ferrovia Norte-Sul.

 

Vice-presidente da CI, Wellington Fagundes ressaltou que Mato Grosso produz muito, e com qualidade, mas está distante dos portos. Disse ainda que o Estado, por causa disso, “tem entusiasmo com tudo que diz respeito à infraestrutura” e que os esforços não se concentram apenas na implantação da FICO ou na Ferrogrão.

“Temos que avançar. Sair de Rondonópolis até Cuiabá, indo ao Norte com a Ferrogrão e com a FICO” – ele destacou, ao se dirigir ao ministro e defender também uma maior segurança jurídica aos investimentos.

 

Jayme Campos, por sua vez, enfatizou que a escassez de recursos para investimentos no país atinge não só o setor de transportes, mas todas as áreas, o que mostra a importância de parcerias e investimentos privados. Segundo ele, a chegada dos trilhos da Ferronorte até Cuiabá “é um sonho de todos os mato-grossenses”.

 

Para ele, a ferrovia é fundamental para a economia do Estado e para a região onde se localiza a Capital. “Havia muita expectativa com essa ferrovia para diminuir valores” – lembrou, ao alertar que a inconclusão do projeto pode transformar a região do Vale do Rio Cuiabá em “um bolsão de miséria”.

 

Assim como Wellington e Jayme, a senadora Selma cobrou do ministro a extensão, até Cuiabá, da ferrovia que chega a Rondonópolis. Para os parlamentares, esse trecho poderá fazer diferença significativa para o Estado e para o escoamento da produção agropecuária.

 

Os três senadores também cobraram do ministro uma posição sobre possível extinção da VALEC Engenharia, Construções e Ferrovias S.A. Freitas disse que não existe uma decisão sobre esse assunto.

 

A reunião durou mais de três horas e diversos parlamentares questionaram o ministro, principalmente em relação às demandas de seus respectivos Estados, como a pavimentação, duplicação ou restauração de rodovias federais.

 

O ministro confirmou que está previsto para 15 de março o leilão de concessão, por 30 anos, de 12 aeroportos, divididos em três blocos – Mato Grosso tem 4 aeroportos no pacote: Sinop, Alta Floresta, Rondonópolis e Várzea Grande, cidade da região metropolitana de Cuiabá.  No Nordeste serão 6 e no Sudeste 2, completando o edital de leilão.

 

Em sua apresentação, o ministro informou que até 2020 haverá leilões para concessão à iniciativa privada de trechos da BR-163, ligando Sinop a Miritituba, no Pará. Ele explicou que essa parceria será curta, de no máximo 15 anos, até que a ferrovia Ferrogrão seja implantada. As maiores tradings que operam no Brasil já manifestaram  interesse em realizar os investimentos para sua implantação.

 

Ferrovia da integração

 

Confirmada entre as diretrizes e metas do Ministério da Infraestrutura, a Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (FICO) será debatida em audiência pública solicitada pelo senador Wellington Fagundes. A data ainda será definida pela Comissão de Infraestrutura. A implantação desse projeto depende ainda da renovação antecipada da concessão de ferrovias operadas pela Companhia Vale.

 

“Precisamos fazer com que o custo seja menor para aqueles que estão no interior produzindo e que tem alta capacidade de produção, uma alta produtividade, competindo com países de maior tecnologia aplicada do mundo. Sabe-se que, quando precisamos chegar com produtos nos portos, o lucro às vezes já foi” – enfatizou o republicano.